
Na noite vejo, sinto-te e abraço-te. O calor aperta e depois... deparo-me sozinho, sem te ter ao meu lado.
Oiço o remix da Cesária que tanto aprecio e que enorme vontade me dá de passar a noite a dançar agarrado a ti, naqueles teus passos bem definidos e tão característicos.
Sorrio na tua presença, risos que não me deixam pensar, risos inconscientes em que atravesso a ponte para lá da realidade e da preocupação...
Não sei o que faça, não sei...
Aguardo a união e a simples sensação que muito valorizo, o estar perto de ti!
Retiro-me constantemente na convicção do dia seguinte porque a saudade essa fica sempre, e que de forma violenta arrasa comigo...
Até logo!

4 comentários:
Pesquisa Florbela Espanca "Se tu viesses ver-me"... podes encontrar também no meu blog há uns meses.
Quando tenho que pensar no que representa estar sem quem amo parece-me que cometo o crime de um roubo, porque em tudo estávamos a meias. Porque era ele, porque era eu, diz o velho senhor de Montaigne... Fazes-me repensar imensas coisas que já fui escrevendo, maturidades que fui ganhando. Seremos sempre - eu já sou, e tu serás - observados como seres tontos, que não se negam a AMAR mesmo que isso inclua sofrimento. O maior acto de amor, o parto - amor criativo - faz-se entre espasmos e dores lancinantes que criam vida. O mesmo com os afectos. E eis que tenho o orgulho e a alegria de ver nascer mais uma alma amante. Conta com as desilusões, conta com os medos, conta com os conselhos de "amigos" que te dirão que melhor refreies o que sentes e te entretenhas na banalidade. Mas não: Ama. E mesmo sozinhos, estamos com quem amamos. E saimos de nós, e damo-nos, e encontramos a nossa própria transcendência no amado.
E por hoje chega.
Aquele abraço
Boa noite, vim aqui parar por acaso e gostei bastante.
Sente-se o texto, precisamente porque deve ter sido escrito com amor e portanto muito sentido ao passar para o papel, com o tal recurso aos sentimentos que já o mestre Alberto Caeiro seguia e tornou-se tão raro.
Permita-me a ousadia: quem escreve assim, deve tentar a poesia. Este texto tem qualquer coisa...e acredite que sou idóneo para dizê-lo, porque pessoalmente prefiro a prosa. Um texto bem escrito em prosa(com primor) soa-me a limpo e considero sublime. Porém tente deixar-se levar organizando-o em estrofes...senti poesia/poeta sentimental-telúrico no ar.
Gosto muito destas coisas.
Tem aqui um espaço muito agradável, parabéns!
Abraço,
Tiago
Entretanto, porque me lembrei logo dele, deixou-lhes este poema:
Sete anos de pastor Jacob servia
Labão, pai de Raquel, serrana bela;
mas não servia ao pai, servia a ela
e a ela só por prémio pretendia.
Os dias, na esperança de um só dia,
passava, contentando-se com vê-la;
porém o pai, usando de cautela,
em lugar de Raquel lhe dava Lia.
Vendo o triste pastor que com enganos
lhe fora assim negada a sua pastora,
como se a não tivera merecida;
começa por servir outros sete anos,
dizendo:-Mais servira, se não fora
para tão longo amor tão curta a vida.
Luiz de Camões
Ao ler este teu texto (escrito exactamente no dia do meu aniversário)reforço a minha opinião. Por curiosidade, e como vi que comentaste na Gazeta Lusitana, vim espreitar este teu blog. Parece que escrever bem, pensas nas coisas em profundidade e com sentimento. É preciso mais gente assim na blogoesfera e no mundo em geral!
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